
Falando em ansiedade, as vezes me pego olhando para trás e fazendo aquela pergunta: “E se eu não tivesse desistido?”
E só puxar pela memória, vejo quantas coisas comecei e deixei no meio do caminho.
Na minha adolescência, por exemplo, encasquetei que queria aprender a tocar violão.
Comprei aquelas revistas de banca de jornal, comprei também fitas VHS com vídeo-aulas. Naquele tempo não tinha youtube. Tudo na esperança de aprender a tocar o bendito instrumento.
Comecei a treinar os acordes, as batidas, ou seja dedicava tempo, mas a jornada não era rápido, por fim parei de aprender. Se eu tivesse continuado, onde estaria hoje?
Será que estaria tocando bem? Talvez em uma banda, na igreja ou quem sabe dando aulas?
Não faço a menor ideia.
Lembro também que, nessa mesma época, eu e meus amigos queríamos montar uma equipe de som — estilo discoteca, o que hoje o pessoal chama de música eletrônica.
A gente fazia o nosso próprio jogo de luzes. A máquina de fumaça que dava todo o charme nas luzes colorida era o secador de cabelo da minha irmã, que eu pegava escondido. E saia a maior briga depois. Essa ideia eu também acabei abandonando.
Anos depois, encarei uma jornada dupla: trabalhava de dia em uma empresa e, à noite, fazia lanches para vender. E adivinha! Desisti.
E se eu tivesse continuado? Será que hoje teria uma lanchonete famosa na cidade? Vai saber.
E a lista não para por aí. Já mexi com elétrica residencial, com instalação de ar-condicionado… Mudei de ramo várias vezes.
Hoje, quando olho ao meu redor, vejo tanta gente fazendo exatamente a mesma coisa. A pessoa começa um projeto cheio de gás, mas, na primeira demora, desiste. O problema é que esquecemos um detalhe muito simples: o tempo vai passar de qualquer jeito.
A nossa ansiedade quer o resultado para ontem, mas as coisas não funcionam como a gente quer. Tudo tem o seu tempo.
Pense num pé de fruta. Você coloca a semente na terra, cuida e rega todo dia. A semente precisa ficar no escuro, criar raiz e brotar devagar. Ela vai crescendo, ganhando força, até que, no momento certo, os frutos aparecem. Não adianta gritar com a árvore para ela dar frutos mais rápido. Se você parar de cuidar, porque cansou de esperar, nunca vai saber o gosto daquele fruto.
Com a gente é a mesma coisa.
A boa notícia é que a gente muda. É hoje, quando decido começar algo, vou até o fim. Aprendi a respeitar o tempo da terra e a controlar a pressa dos meus desejos.
Se eu puder te dar um conselho de quem já largou muita coisa no meio da estrada, é este: tenha mais paciência com você mesmo. Acalme o coração em relação aos resultados rápidos. Continue plantando, continue regando e não desista.
Os seus frutos vão chegar, no tempo certo.